domingo, 24 de abril de 2016

Chegando na Mongólia: uma odisséia terrestre

 


Sempre que podemos, tentamos chegar à um novo país por terra, não somente por razões orçamentais, mas também porque nos permite conhecer lugares que estão fora da rota turística.
E como já estávamos em Datong, que fica bem ao norte da China, decidimos tomar o trem até Erlian, cidade que faz fronteira com a Mongólia.

Erlian é a típica cidade de fronteira, ou seja, não é bonita e a maioria das pessoas parecem estar envolvidas em algo ilegal. Passamos a noite em um pousada um pouco sinistra (para não dizer outra coisa) e logo na manhã seguinte fomos para a praça central, ponto de saída das minivans que cruzam a fronteira com a China.



Na imigração o processo foi muito mais rápido e organizado do que esperávamos. Terminamos os trâmites e já com nossos passaportes devidamente carimbados, a nossa van nos esperava do outro lado do edifício para seguir viagem até Zamiin-Uud, que fica a um pouco menos de 3 km da fronteira. Chegando aí, fizemos o que sempre fazemos ao chegar em um novo país:

1. Conseguir dinheiro local;
2. Comprar bilhetes para o próximo tramo da viagem;
3. Se é necessário esperar, procurar um lugar para comer ou beber algo, de preferencia com wifi.

O primeiro ponto não poderia ser mais fácil, sacamos dinheiro em um caixa eletrônico sem maiores problemas. O segundo também foi bastante simples, especialmente porque a minivan nos deixou literalmente na esquina da estação de trem, que não era nem grande ou movimentada. Aliás, me fez lembrar muito das estações de trem perdidas nas Pampas Argentinas. No meio da planície verde, só se viam os trilhos, a plataforma e a estação. O preço do bilhete até Ulan Bator, o nosso próximo destino, com o Expresso transmongoliano custou ums 35 USD, um valor mais do que adequado para uma viagem de mais de 12 horas em uma cabine-cama.




E finalmente, para o terceiro ponto encontramos um café bastante limpo e “moderno” com cara de restaurante fast food. Aí esperaríamos 5 horas até a saída do nosso trem às 18hs. Aí também conhecemos um casal de mochileiros muito simpáticos que também estavam esperando pelo mesmo trem.

Tudo estava indo tão bem... tudo tão harmonioso... todos tão simpáticos... pena que não notamos um pequeno e importante detalhe: o fuso horário da Mongólia está uma hora à frente em relação à China. Mudança de horario qual, mais tarde em Ulan Bator, descobriríamos que o governo nunca informou ao organismo internacional que regula estas questões e, justamente por esta razão, nossos celulares nunca trocaram de horário, e quando digo “nossos”, estamos incluindo os celulares do casal que estavam esperando com a gente!



De qualquer maneira, resolvemos ir para a estação mesmo “faltando” um pouco mais de uma hora, afinal de contas, o seguro morreu de velho. Na realidade, o nosso trem já estava há tempos na plataforma, e agora faltava apenas 10 minutos para que ele partisse. Nós tranquilos, mas pelas dúvidas perguntamos a um dos guarda do trem que, fazendo sinais com as mãos, nos dizia que NÃO. Naquele momento entendemos que não era o nosso trem mas, na verdade o que ele estava dizendo é que já não podíamos mais embarcar...



E foi aí que começou a odisséia. Primeiro para que nos deixem entrar no trem, e isso não funcionou. Depois para que nos reembolsem a passagem e, dessa vez, meio que funcionou, ou melhor dizendo 35% funcionou, já que essa foi a percentagem do valor do bilhete que nos devolveram. Olhando para trás acho que eles foram mais do que generosos, considerando que a culpa foi toda nossa. Não nos sobrou outra alternativa do que comprar outro bilhete para o próximo trem, que chegaria somente às 21 horas. Só que dessa vez, fomos os primeiros a embarcar!



A viagem foi tranquila. A paisagem, um pouco monótona, consistia basicamente de uma vasta estepe verde a perder de vista, interrompida de tempo em tempo por uma Ger House (tenda circular usada tradicionalmente pelos pastores nômades mongóis) uma manada de cavalos ou uma horda de iaques.



O trem é da época soviética, ou seja, de novo não tem nada, mas funciona maravilhosamente bem e está super bem servido por uma equipe de limpeza e de atendentes de cabine. As cabines privativas são compartilhadas entre 4 pessoas, bastante confortáveis ​​e têm espaço suficiente para armazenar bagagens.

Por volta das 10h da manhã do outro dia chegamos em Ulan Bator, mas essa é outra história.


Aqui está o vídeo que fizemos enquanto esperávamos o segundo trem:

Nenhum comentário:

Postar um comentário