sábado, 21 de novembro de 2015

O Buda Gigante de Leshan: Tão grande quanto a nossa decepção

 

O Buda Gigante de Leshan: Tão Grande Quanto a Nossa Decepção


Ainda me lembro a primeira vez que vi uma foto do Buda Gigante na internet. Foi algo tão surreal, que jurei para mim mesma que um dia conheceria esse lugar, aonde quer que fosse. Resulta que ‘esse lugar’ fica na China, na cidade de Leshan, 160 Km de Chengdu. Parte do misticismo passou no momento que descobrimos que havia um trem bala até lá. Mas nada nos preparou para o que iríamos encontrar aí: tanto para bem, quanto para mal. Junto a majestosa estátua, sentada pacificamente na confluência dos rios Minjiang,Dadu e Qingyi, uma avalanche de turistas chineses, como nunca vimos antes, tomavam as pequenas escadarias que levam aos pés do Buda. Essa é a prova final para os monges Budista: como manter a paciência e a calma, diante da euforia desenfreada da turistaiada.

Um Pouco de História

A construção do Buda gigante começou no ano 713 d.C. liderada pelo monge chinês chamado Hai Tong. Fazia tempo que numerosos acidentes de barco, causados pela confluência das águas turbulentas de três importantes rios, perturbava a vida e a economia da tão sofrida população ribeirinha, que atribuía os desastres e acidentes à um espírito da água. Pois nada melhor para acalmar o tal espírito, do que a maior estátua de Buda que o mundo já viu. O monge mal sabia que as pedras retiradas durante a escavação acabariam reduzindo a força da água, finalmente auxiliando a passagem dos barcos. Infelizmente Hai Tong não viveu para ver o projeto pronto, que levou 90 anos em total para ser finalizado.

O Passeio

Pegamos o trem das 7h30 em Chengdu e em menos de uma hora já estávamos em Leshan. Logo na saída da estação, tomamos o ônibus 3 que nos deixou na entrada do complexo. O ticket custa 90 CNY (15 USD) por pessoa, já incluindo acesso ao parque cênico que contém mais de 30 templos. Em menos de 10 minutos de subida moderada, já estávamos na cabeça do Buda. Não sabíamos muito bem para onde ir, já que não existe nenhuma explicação em inglês. Também havíamos sido advertidos sobre o possível caos devido ao grande número de turistas e por isso, depois de uma visita rápida ao Lingyun Temple, resolvemos pegar a fila que nos levaria aos pés do Buda. Isso mesmo, você começa de cima para baixo, e para cima novamente. E foi aí que a confusão começou.

A primeira hora de espera até que foi tranquila, porque a fila está organizada por bloqueios de metal. Só que uma vez que você começa descer, a fila abre, e todo mundo começa a empurrar, como se fossem tirar a mãe da forca. E ali estávamos, Maxi e eu, duas sardinhas enlatadas, no meio de uma multidão de chineses mal educados com seus pau de selfie. Eventualmente, depois de quase 2 horas de muito sufoco, chegamos embaixo. A vista é surpreendente, e dos pés dá pra sentir a grandiosidade do monumento que, com seus 71 metros de altura, é a maior escultura de pedra do Buda do mundo.

Dá para ver que a estátua foi bastante restaurada, principalmente no rosto. Dizem que estava muito deteriorada devido ao alto nível de poluição que chegou com o desenvolvimento da região. Se não fosse pelo sistema de drenagem de água da chuva, com canais escondidos atrás da cabeça, braços e orelhas, acho que o Buda teria sido completamente destruído com o passar dos últimos 1300 anos.



O que fez o passeio valer a pena foi o resto do parque, já que o caminho em direção ao Templo Wuyou é maravilhoso. Muito verde, pagodas, monastérios, covas e pontes antigas. 



A caminhada é longa e a subida puxada, mas uma vez lá em cima sentimos a paz e serenidade que não encontramos com o Buda Gigante. Não é a toa que esse foi o primeiro lugar onde o Budismo se estabeleceu na China. O Hall do Arhats foi um dos destaques, com suas centenas de estátuas dos discípulos do Buda Sakyamuni.




Dicas


1- Tente chegar o mais cedo possível e vá direto para a fila que leva aos pés do Buda. Não se preocupe com os templos, porque dá para voltar ao ponto de início. Se chegar na hora de pico, nós vimos uns Italianos descendo pela saída, ou seja, pela escadaria ao lado direito do Buda. Não sei se eles puderam chegar até os pés, mas achamos uma excelente idéia.


2- Reserve pelo menos um dia para o passeio e não deixe de conhecer todo o complexo.




3- Também é possível ver o Buda desde o rio, e conseguir tirar fotos panorâmicas com outras esculturas e os guardiões, que são impossíveis de ver desde a montanha. O passeio de barco custa ao redor de 80 CNY, e nos pareceu uma verdadeira arapuca para turistas, já que a correnteza é tão forte, que os barcos ficam não mais do que alguns minutos parados em frente à estátua. Mas não deixa de ser outra alternativa pra quem quer evitar a multidão, a fila desagradável e as subidas íngrimes em estreitas escadarias.



4- Tickets para o trem bala devem ser reservados com pelo menos um dia de antecedência. Caso contrário, é possível voltar de ônibus inter-municipal, que leva em torno de 3 horas. O ônibus sai da Xiaoba Bus Station em Leshan direção Xinnanmen Bus Station em Chengdu, de 30 em 30 minutos.

Valeu a pena? Descubra aqui
(ative CC para legendas em Português)





The Giant Buddha of Leshan


5 comentários:

  1. wow ...gracias por compartir esta experiencia...pensaba que seria mágico pero de ver la gente y su comportmiento , se me quitaron las ganas...pero siento que estuve allí con ustedes BESOS!!!!!!....

    ResponderExcluir
  2. Ainda bem que não li sua experiência antes de ir kkkk senão teria desistido, mas fui e a minha foi muito diferente, chegamos muito cedo, estava bem vazio, nem de longe esta aglomeração de pessoas kkkk, subimos a montanha até a cabeça, vimos tudo ali do alto e depois descemos e pegamos o Barco, não descemos as escadas da montanha, e de fato quando descemos para pegar o barco, estava enchendo mais. Pegamos o Barco tranquilamente, poucas pessoas nele, tiramos muitas fotos, para nós a experiência foi muito bacana. Fomos no início de Junho 2018. Caí aqui pesquisando o nome da estação de trem que esqueci rsrs

    ResponderExcluir