domingo, 4 de outubro de 2015

Mumbai



 


Terra de contrastes. Das oportunidades. Da desigualdade.

Mumbai, antigamente conhecida como Bombai, foi o primeiro destino da nossa viajem, e que maneira de começar...  Confesso que a expectativa era baixa, e talvez por isso, ficamos tão impressionados com essa cidade maluca. Me fez lembrar um pouco de São Paulo, com seu transito caótico e pessoas de todos os lados tentando ganhar a vida, trabalhando muito, morando longe, porque não podem pagar nem ao menos um aluguel na favela.


Visita ao slum

Lembra daquele filme ‘Slumdog millionaire’ que ganhou vários Oscars?  A favela aonde o filme foi inspirado fica aqui, e há quem diga que é a mais grande de toda a Asia. A nossa visita à favela de Dharavi organizado pelo Reality Tours foi o highlight da nossa estadia em Mumbai,  e uma experiencia tão forte, que ficará para sempre gravada na nossa memória, como uma primeira tatuagem.


Dharavi é o maior e mais famoso símbolo de desigualdade na distribuição de renda de Mumbai, e pode ser considerada uma cidade no meio da cidade. Com cerca de 350.000 pessoas por km², a favela é considerada a área mais densamente povoada do planeta. Embora o filme tenha sido um sucesso no mundo todo, para os moradores daqui, a publicidade foi de muito mal gosto. Por isso a regra estrita proibindo fotografar ou filmar durante o tour. Assim que vou fazer o meu possível para tentar descrever, embora a expressão “ver para crer” nunca foi melhor utilizada.

A favela esta dividida entre a parte residencial e de indústrias de pequeno porte. Começamos o passeio conhecendo as fábricas de reciclagem. Aqui nada se perde, tudo se transforma.  Plástico, metal, vidro, alumínio e até sabão – sabe os restinhos de sabonete que deixamos no hotel? então,  aqui eles são recolhidos e reutilizados. Também se produzem carvão, maquinário, couro, cerâmica, e até panificadoras embora os chapatis e parathas produzidas aqui não dizem a sua origem na embalagem, porque se não, ninguém os compraria!

Aos poucos as ruas foram ficando cada vez mais estreitas, desordenadas e sinuosas, ao ponto de termos que caminhar em fila indiana (agora eu entendo a origem da expressão!) e cuidando para não romper a cabeça contra o teto, um pedaço de ferro ou um fio elétrico. Chegamos à zona residencial, e embora tentássemos agir naturalmente, não tinha como deixar de reparar no tamanho das casas. Aqui, famílias de 6 pessoas em média, vivem em quartos de 2x2m, contando o espaço para uma pequena cozinha com dispensa,  fogão a gás, eletricidade e TV a cabo. Já a água tem horários especiais de distribuição. As mulheres se banham de balde dentro das casas e os homens fora, geralmente enrolados em um sarongue branco, conhecido como “lungi”.  Os banheiros sao comunitários, e se estima que cada vaso sanitário é utilizado por 1450 pessoas. Por isso, todo mundo acaba fazendo as suas necessidades ao ar livre mesmo. Impossível descrever o cheiro e a sujeira acumulada em montanhas de lixo ao ar livre, enquanto crianças correm descalças e desnudas junto às galinhas, vacas e cachorros. 

Nada mexeu tanto comigo quanto essa visita a Dharavi. Foi a experiência mais forte da minha vida. Quem me conhece sabe que eu nunca acreditei em sorte. Depois de conhecer a realidade dessas pessoas eu não tenho dúvida de que sou uma pessoa de muita sorte. Sorte de ter nascido no país, na cidade e na família que nasci.  E que tenho que agradecer todos os dias por todas as oportunidades e coisas que ganhei nessa vida, e jamais dar nada por merecido. 

Visita a Dhobi Ghat


Depois de Dharavi, tomamos o trem em direção a Dhobi Ghat, uma das maiores lavanderias ao ar livre do mundo. "Dhobi" significa auxiliar de lavandaria e "Ghat", os tanques de concreto. Embora a lavanderia seja aberta, é impossível de conhecê-la sozinha, já que na entrada o “cafetão” já te encaixa um “guia”, que  trabalha aí mesmo e mal fala uma palavra de inglês. 


Mais uma vez foi muito marcante ver essas pessoas trabalhando em péssimas condições, com os pés e mãos carcomidas pelos químicos, vivendo amontoados em pequenos barracos sujos e escuros.  Mas confesso que olhando mais além dessa realidade, a lavanderia tem o seu charme,  com suas milhares de cubas de concreto e varais com roupas coloridas. Não era de se surpreender que até os hotéis 5 estrelas da cidade mandam a roupa suja para lá.






Mas Mumbai não é só favela, e a área mais a sul da cidade é muito bonita, com edifícios seguindo arquitetura colonial inglesa, parques onde se joga críquete aos domingos, bares, restaurantes e feiras culturais. Aqui todo mundo fala inglês, até mesmo entre eles. 

A Ilha Elephanta


Também fizemos um passeio muito interressante de apenas meio-dia até a ilha de Elephanta, que fica cerca de 10 km de Mumbai, e guarda vestígios de uma civilização que habitou a região do século 2 ao 6. Basicamente são vários grupos de cavernas com templos e esculturas escavadas nas pedras em homenagem aos deuses hindus. Para ver mais sobre esse passeio, assista o vídeo abaixo.   



Foto Galeria

mumbai

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